Das antigas: Fielder encara Marea Weekend

Das antigas: Fielder encara Marea Weekend

02/06/2022
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As peruas praticamente desapareceram do mercado brasileiro. Gradualmente substituídas por minivans e, mais recentemente, pelos utitliários compactos, elas aliavam o conforto de um sedã médio a um porta-malas enorme e prático. Hoje, além de modelos importados e mais caros, apenas a Volkswagen Golf Variant representa o segmento na faixa abaixo dos R$ 100 mil. Aqui vemos os últimos suspiros de quando o segmento ainda tinha algumas representantes, como a controversa Fiat Marea Weekend, avaliada na versão HLX com motor 2.4 de cinco cilindros, que encarou a então novata Toyota Fielder, no teste comparativo publicado na edição de 21/07/2004. Nas palavras do repórter Igor Thomaz.

Estas peruas são um luxo!
No conjunto, o modelo da Toyota compensa mais, mas para quem gosta de dirigir, a Marea Weekend é ‘‘mais carro’’

Está certo que o mercado de peruas sofisticadas não tem muitos representantes no Brasil, mas, fora os modelos de alto luxo, das marcas Mercedes, Volvo, Audi, Subaru, Renault e Citroën, que são caros, o consumidor que não abre mão desse tipo de veículo encontra duas opções mais acessíveis: a nova Toyota Corolla Fielder e a veterana FiatMarea Weekend HLX.

Comparamos esses dois modelos, com câmbio automático de quatro marchas, e, já de início, as vantagens são da Toyota. Primeiramente por causa do preço bem mais baixo, de R$ 57.161 contra os R$ 74.250 da rival, o que, aliado ao consumo de combustível mais favorável, acabou dando a vitória à
Fielder por ser um melhor negócio.

Além disso, o carro leva a melhor porque tem o apelo da novidade, o que é importante para muitos consumidores. Já o modelo da Fiat, apesar da boa qualidade, tem vendas cada vez menos expressivas. Mas a briga é bem equilibrada.

São dois modelos interessantes quanto ao acabamento, nível de itens e desempenho. Nesse último quesito, a perua Marea mostra mais qualidades, graças ao motor 2.4 20V de cinco cilindros, que lhe dá mais força em baixas rotações. Para quem dirige é um prazer, já que a perua é muito ágil para ganhar e retomar velocidade. Segundo a marca, a Weekend acelera de 0 a 100 km/h em 10,2 segundos e atinge 200 km/h de velocidade.

A Toyota não divulga os números de desempenho de sua perua, mas quem a dirige percebe que, apesar do motor 1.8 16V, ela não fica tão atrás da concorrente. A explicação para isso está na tecnologia VVT-i, que permite a variação contínua da abertura das válvulas de admissão. Na prática, esse sistema faz o carro responder em qualquer faixa de rotação – quando se pisa com força no pedal do acelerador, o motor mostra mais disposição que um 1.8 comum.

Câmbios: bons, mas…

A diferença é que o câmbio da Fielder é mais limitado. Mesmo assim, é eficiente tanto para andar na cidade ou na estrada. Ele funciona muito bem, com trocas suaves e precisas -como o da Marea. Mas é mais simples, tendo uma única opção disponível para alterar seu comportamento: uma tecla na alavanca permite a desativação do overdrive, que “alonga” a quarta marcha para reduzir o consumo de gasolina.

Já a perua da Fiat conta com duas teclas que mudam o comportamento do câmbio. Uma serve para deixar o desempenho mais esportivo, esticando mais as marchas, e a outra ajuda o motorista a sair de locais com pisos escorregadios, selecionando uma marcha mais alta para que os pneus não girem em falso. O problema é que essas teclas estão mal posicionadas no console central, entre o apoio central para o braço e a própria alavanca do câmbio. Outra “mancada” é que o trilho por onde corre a alavanca do câmbio não é iluminado – mas há, pelo menos, uma indicação, no painel de instrumentos, da marcha que está em uso.

As diferenças entre Corolla Fielder e Marea Weekend não ficam apenas no motor e nas funções do câmbio. Se por um lado o modelo da Fiat anda mais, por outro ele consome mais gasolina, conforme mostrou a média urbana obtida pelo JC. Mas a distinção mais evidente está no desenho dos modelos, a começar pelos faróis e grade frontal, que são grandes no modelo da Toyota e pequenos no da Fiat, um forte indício de sua idade mais avançada. As lanternas traseiras são bem visíveis em ambos, mas a posição elevada usada no Marea agrada mais, esteticamente.

Mas nem tudo é diferente nas duas peruas. O acabamento delas é bem feito, mas sem muita inspiração. Na verdade, a Toyota mantém o estilo sóbrio do sedã, enquanto a Fiat está defasada quando comparada a carros da própria marca, como o Palio.

Apesar da diferença de idade dos projetos, o comportamento é parecido em muitos aspectos. Além de serem bem ágeis, os modelos são muito estáveis. A carroceria deles se inclina pouco, mesmo nas curvas mais fechadas, e é fácil corrigir eventuais saídas de traseira – quando ocorrem. As duas também absorvem bem as irregularidades do piso, mas a Weekend, com um acerto um pouco melhor de suspensão, é mais eficiente nesse quesito.

Na parte de segurança, ponto para a Toyota, que oferece de série sistema de freios ABS com EBD – distribuição eletrônica de força de frenagem – que está disponível para a rival apenas como opcional.

Além disso, o pedal do freio da Fielder é mais sensível ao toque. Na
Marea, o pedal fica mais pesado quando se pisa com mais força – pelo menos na versão avaliada, que estava equipada com freios ABS. A Weekend também pára com eficiência e segurança, mas não oferece o mesmo conforto para o motorista durante a frenagem.

Passageiros.Como derivados de sedãs médios, as duas peruas oferecem bom espaço para motorista e passageiro do banco da frente. O mesmo vale para quem viaja no banco de trás, onde três pessoas podem se acomodar com conforto. Nesse ponto, mais uma vez a Fielder leva vantagem, já que o encosto do banco traseiro pode ser inclinado em 20°, uma solução que não é oferecida pela rival. Com isso, os passageiros podem ficar mais relaxados em trajetos longos.

Por outro lado, o modelo da Fiat tem mais espaço para levar bagagem: seu porta-malas acomoda 89 litros a mais de volume. Já sua capacidade de carga supera a da Fielder em 150 quilos, uma diferença muito considerável para veículos do mesmo porte.

Quanto à oferta de itens de série, ambas são bem equipadas, com ajuste de altura para o banco do motorista, ar-condicionado, rádio com toca-discos e travamento automático das portas.

Enquanto a Weekend pode ser equipada opcionalmente com bancos de couro, air bags laterais e teto solar elétrico, a Fielder pode receber como acessórios faróis de neblina (de série para a rival), sensor de aproximação nos pára-choques e películas escuras para os vidros, entre outros itens. O modelo da Toyota oferece, de série, sistema de freios ABS. Já a perua da Fiat pode receber teto solar elétrico.

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As peruas praticamente desapareceram do mercado brasileiro. Gradualmente substituídas por minivans e, mais recentemente, pelos utitliários compactos, elas aliavam o conforto de um sedã médio a um porta-malas enorme e prático. Hoje, além de modelos importados e mais caros, apenas a Volkswagen Golf Variant representa o segmento na faixa abaixo dos R$ 100 mil. Aqui vemos os últimos suspiros de quando o segmento ainda tinha algumas representantes, como a controversa Fiat Marea Weekend, avaliada na versão HLX com motor 2.4 de cinco cilindros, que encarou a então novata Toyota Fielder, no teste comparativo publicado na edição de 21/07/2004. Nas palavras do repórter Igor Thomaz.

Estas peruas são um luxo!
No conjunto, o modelo da Toyota compensa mais, mas para quem gosta de dirigir, a Marea Weekend é ‘‘mais carro’’

Está certo que o mercado de peruas sofisticadas não tem muitos representantes no Brasil, mas, fora os modelos de alto luxo, das marcas Mercedes, Volvo, Audi, Subaru, Renault e Citroën, que são caros, o consumidor que não abre mão desse tipo de veículo encontra duas opções mais acessíveis: a nova Toyota Corolla Fielder e a veterana FiatMarea Weekend HLX.

Comparamos esses dois modelos, com câmbio automático de quatro marchas, e, já de início, as vantagens são da Toyota. Primeiramente por causa do preço bem mais baixo, de R$ 57.161 contra os R$ 74.250 da rival, o que, aliado ao consumo de combustível mais favorável, acabou dando a vitória à
Fielder por ser um melhor negócio.

Além disso, o carro leva a melhor porque tem o apelo da novidade, o que é importante para muitos consumidores. Já o modelo da Fiat, apesar da boa qualidade, tem vendas cada vez menos expressivas. Mas a briga é bem equilibrada.

São dois modelos interessantes quanto ao acabamento, nível de itens e desempenho. Nesse último quesito, a perua Marea mostra mais qualidades, graças ao motor 2.4 20V de cinco cilindros, que lhe dá mais força em baixas rotações. Para quem dirige é um prazer, já que a perua é muito ágil para ganhar e retomar velocidade. Segundo a marca, a Weekend acelera de 0 a 100 km/h em 10,2 segundos e atinge 200 km/h de velocidade.

A Toyota não divulga os números de desempenho de sua perua, mas quem a dirige percebe que, apesar do motor 1.8 16V, ela não fica tão atrás da concorrente. A explicação para isso está na tecnologia VVT-i, que permite a variação contínua da abertura das válvulas de admissão. Na prática, esse sistema faz o carro responder em qualquer faixa de rotação – quando se pisa com força no pedal do acelerador, o motor mostra mais disposição que um 1.8 comum.

Câmbios: bons, mas…

A diferença é que o câmbio da Fielder é mais limitado. Mesmo assim, é eficiente tanto para andar na cidade ou na estrada. Ele funciona muito bem, com trocas suaves e precisas -como o da Marea. Mas é mais simples, tendo uma única opção disponível para alterar seu comportamento: uma tecla na alavanca permite a desativação do overdrive, que “alonga” a quarta marcha para reduzir o consumo de gasolina.

Já a perua da Fiat conta com duas teclas que mudam o comportamento do câmbio. Uma serve para deixar o desempenho mais esportivo, esticando mais as marchas, e a outra ajuda o motorista a sair de locais com pisos escorregadios, selecionando uma marcha mais alta para que os pneus não girem em falso. O problema é que essas teclas estão mal posicionadas no console central, entre o apoio central para o braço e a própria alavanca do câmbio. Outra “mancada” é que o trilho por onde corre a alavanca do câmbio não é iluminado – mas há, pelo menos, uma indicação, no painel de instrumentos, da marcha que está em uso.

As diferenças entre Corolla Fielder e Marea Weekend não ficam apenas no motor e nas funções do câmbio. Se por um lado o modelo da Fiat anda mais, por outro ele consome mais gasolina, conforme mostrou a média urbana obtida pelo JC. Mas a distinção mais evidente está no desenho dos modelos, a começar pelos faróis e grade frontal, que são grandes no modelo da Toyota e pequenos no da Fiat, um forte indício de sua idade mais avançada. As lanternas traseiras são bem visíveis em ambos, mas a posição elevada usada no Marea agrada mais, esteticamente.

Mas nem tudo é diferente nas duas peruas. O acabamento delas é bem feito, mas sem muita inspiração. Na verdade, a Toyota mantém o estilo sóbrio do sedã, enquanto a Fiat está defasada quando comparada a carros da própria marca, como o Palio.

Apesar da diferença de idade dos projetos, o comportamento é parecido em muitos aspectos. Além de serem bem ágeis, os modelos são muito estáveis. A carroceria deles se inclina pouco, mesmo nas curvas mais fechadas, e é fácil corrigir eventuais saídas de traseira – quando ocorrem. As duas também absorvem bem as irregularidades do piso, mas a Weekend, com um acerto um pouco melhor de suspensão, é mais eficiente nesse quesito.

Na parte de segurança, ponto para a Toyota, que oferece de série sistema de freios ABS com EBD – distribuição eletrônica de força de frenagem – que está disponível para a rival apenas como opcional.

Além disso, o pedal do freio da Fielder é mais sensível ao toque. Na
Marea, o pedal fica mais pesado quando se pisa com mais força – pelo menos na versão avaliada, que estava equipada com freios ABS. A Weekend também pára com eficiência e segurança, mas não oferece o mesmo conforto para o motorista durante a frenagem.

Passageiros.Como derivados de sedãs médios, as duas peruas oferecem bom espaço para motorista e passageiro do banco da frente. O mesmo vale para quem viaja no banco de trás, onde três pessoas podem se acomodar com conforto. Nesse ponto, mais uma vez a Fielder leva vantagem, já que o encosto do banco traseiro pode ser inclinado em 20°, uma solução que não é oferecida pela rival. Com isso, os passageiros podem ficar mais relaxados em trajetos longos.

Por outro lado, o modelo da Fiat tem mais espaço para levar bagagem: seu porta-malas acomoda 89 litros a mais de volume. Já sua capacidade de carga supera a da Fielder em 150 quilos, uma diferença muito considerável para veículos do mesmo porte.

Quanto à oferta de itens de série, ambas são bem equipadas, com ajuste de altura para o banco do motorista, ar-condicionado, rádio com toca-discos e travamento automático das portas.

Enquanto a Weekend pode ser equipada opcionalmente com bancos de couro, air bags laterais e teto solar elétrico, a Fielder pode receber como acessórios faróis de neblina (de série para a rival), sensor de aproximação nos pára-choques e películas escuras para os vidros, entre outros itens. O modelo da Toyota oferece, de série, sistema de freios ABS. Já a perua da Fiat pode receber teto solar elétrico.

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Fonte: Estadão